Exercício Número 1
“VER”
“Georgie ouvia as pessoas falarem que Bill tinha talento para escrever, ele sempre tirava dez nas redações da escola que se baseavam em contar uma história, todo mundo via o talento de Bill para escrever, mas Georgie sabia, ESCREVER era só metade da coisa, Bill era bom em VER.”
It – A coisa, Capítulo 1, Parte 1, “Antes da Enchente”.

1.      O negócio é o seguinte, eu vim aqui te propor uma atividade que se constitui basicamente em descrever as coisas que você vive, não quero que descreva cadeiras, paredes ou portas (mesmo porque sou horrível com descrições em geral, venho tentando melhorar, inclusive a habilidade de ver), eu quero que você me descreva situações do seu dia, como se fosse contar em um conto, livro ou algo do gênero, o modelo vai ser o seguinte.
Exemplo 1: Uma amiga chamada Jéssica (Nome fictício para não causar inconvenientes, mas história real), me contava sobre alguns problemas pessoais dela, ela falava sobre o marido, filhas, e mãe, em certo momento ela me conta que a mãe está muito doente, segue a cena. (Modelo obrigatório, primeiro você tem que me contar o que aconteceu, pra eu poder entender a cena).
A parada de ônibus do lado externo  do IFAM – Centro, estava relativamente vazia, o celular brilhava 22:05 da noite e a Jéssica não parava de falar, falar de como as coisas iam mal para ela, de como tudo dava errado, e das escolhas erradas que ela fizera quando mais jovem, sinceramente, eu gosto de ouvir as pessoas falarem de si mesmas, contarem suas histórias, desde que não sejam tediosas, a de Jéssica não era, em certo momento ela citou que estava morando com o ex marido, e que sua mãe estava com ela, porque estava doente.
- (...) e a mamãe ta morando na minha casa, bem, na minha não né, do Marcelo, é uma droga ter que ficar vivendo com ele, ele vive me aperriando, querendo voltar, sendo que ele que me traiu primeiro, eu não quero viver em um relacionamento assim, Thiago, eu quero alguém que não seja tão possessivo quanto ele é.
- Hum...Mas porque sua mãe está morando com você,  Jéssica? Ela não está doente? Que doença ela tem? – Eu estava curioso, realmente curioso, doenças não são as coisas mais interessantes que existem? Tipo, em um momento você ta bem e no outro BUM! Morreu, de alguma doença que já estava em você a anos mas resolveu aparecer para dar um oi e desaparecer com seu corpo para sete palmos abaixo da terra.
- Ah sim, é que ela tem uma doença muito séria, ela está... Com câncer. No momento que Jéssica disse “Câncer”, ela diminuiu o tom de voz, como se falar o nome da doença em voz alta fosse piorar a situação da mãe dela, como se fosse um segredo íntimo, falou como se fosse um nome amaldiçoado, e bem, talvez fosse mesmo, apesar que eu acredito que não faria diferença ela gritar o nome na caixa de som mais potente do mundo, ou falar em um sussurro em uma parada de ônibus iluminada por uma luz alaranjada, de um jeito ou de outro, a mãe dela já estava amaldiçoada. (...)

Pronto, ai está, essa é a prática do ver, o que está em vermelho é o mais importante, é o que eu “VI”, ver nesse caso ta relacionado a sentir, eu senti que ela pensava que falar a palavra muito alto faria a mãe dela piorar, como descrever isso? Como fazer a sensação passar para quem tá lendo? Como fazer o leitor entender o que eu ‘VI’? Todo texto tem um pouco do autor, mas se você não conseguir “ver”o que acontece a você, não vai conseguir escrever. É isso que quero que você faça, Roney, quero que você veja, veja e escreva o que viu, quero sentir o que você sentiu, ou entender, entender o que as pessoas sentem em geral é mais fácil, VEJA, RONEY, VEJA E ESCREVA quero 5 textos nesse estilo, daqui três semanas.

Data de Entrega (31/10/2017)

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